Um filme francês interessante. Olhando a sinopse do Espaço Itaú de cinema, eu discordo totalmente do que vem escrito nela.
O filme se trata de um casal juntos ha mais de 30 anos, que sofrem mudanças drásticas durante um período curto de tempo. O marido foi sorteado para ser um dos demitidos na crise da fábrica onde trabalhava - demissão esta que não precisava ter ocorrido se ele não tivesse colocado seu próprio nome na lista. No entanto ele se mostra uma pessoa de bastante caráter e que, apesar de ser um grande representante do sindicato, não se acha superior aos outros e correu o risco da demissão com os demais funcionários. Até então tudo estava sendo levado com tranquilidade. Até que houve uma festa para comemorar os 30 anos de casamento, e nela, os amigos e filhos deram um presente ao casal: numa viagem ao Kilimanjaro, dentro de um baú havia: passagens e dinheiro. Viva, todos felizes. Nesta festa estavam várias pessoas da tal fábrica onde o marido trabalhava, inclusive os demitidos.
Até que não muito depois o casal (Michel e Marie-Claire) é assaltado em casa, em uma noite em que estava havendo um jogo de cartas entre eles e a irmã da mulher e o marido dela. Os assaltantes usaram de uma violência desnecessária e roubaram toda a grana da família, deixando eles bem na lama. Mas mesmo assim eles estavam se virando.
Ai o marido descobre um dos caras que assaltou a casa e o bota na cadeia. E depois começa a se preocupar com o caminho que esse jovem está escolhendo pra vida dele. Resolve retirar a queixa, mas não adianta mais pois o caso na justiça já estava aberto.
E a trama se desenrola nesse circulo. O efeito que o assalto causou na família, o trauma que a cunhada do Michel teve com o ocorrido, e a preocupação que ele tem não em fazer justiça, mas em entender o que aconteceu, do que leveou o jovem a cometer um crime assim contra a família dele.
O jovem alimentou uma raiva contra a forma do sorteio para demissões, disse que o método do sorteio era injusto e que deveriam avaliar cada caso, e deveriam demitir os mais ricos e os que tinham carro, ou que as esposas também trabalhavam, que ele era jovem e tinha dois irmãos para criar e não merecia ser demitido.
Mas ai vem o parenteses: ora, será que existe mesmo um método justo para demitir pessoas em uma empresa em crise? O próprio Michel se encaixava nesse perfil dos bem sucedidos, em final de carreira, que tinha uma esposa que trabalhava. Mas ai eu me pergunto, só por que ele trabalhou muito a vida inteira e a esposa dele também, pra dar uma qualidade de vida para a família e por isso deveriam ser demitidos? Não eu não botei fé no posicionamento do ladrãozinho la, e não critico a decisão do Michel de ter feito o sorteio para demitir pessoas e salvar a empresa. Ali todo mundo tava no mesmo barco.
Bom, voltando.. no decorrer do filme mostra a esposa do Michel também tentando entender o que houve no dia do assalto, a razão do ocorrido. E ela também descobriu que o assaltante tinha dois irmãos e resolveu começar a cuidar deles escondido. E Michel resolve também fazer algumas coisas escondido, a crise de consciencia e preocupação do casal com o futuro do jovem ladrão e seus irmãos é uma coisa completamente diferente do que as pessoas estão acostumadas. Nem os filhos do casal aceitam as decisões que eles tomaram em relação a esses meninos. Apenas a cunhada e seu marido.
E isso mostra que ainda existem pessoas que não são egoístas, que mesmo com tudo que passaram, ainda querem ajudar. Que nem todo mundo deve pagar pelos pecados alheios. E eu saí do cinema pensativa. É MUITO dificil falar do filme aqui sem contar tudo que acontece nele. É um filme francês, todo filme francês que eu assisto é carregado de emoções e de conceitos sociais que parecem meio perdidos nesse país em que vivemos.